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A Análise Ergonômica do Trabalho e os benefícios decorrentes da sua elaboração

31 out A Análise Ergonômica do Trabalho e os benefícios decorrentes da sua elaboração


Desenvolvimento da ergonomia:

Caminhando juntamente com a revolução industrial e o desenvolvimento tecnológico surgiram as doenças ocupacionais, consequência direta da ausência de preocupação e ações com foco na preservação da saúde dos trabalhadores, o que levou ao aumento no número de faltas no trabalho, maior necessidade de rodízio entre os trabalhadores, além de muitos afastamentos. À medida que o trabalho exigia mais dos funcionários, maior era o absenteísmo e menor a motivação desses trabalhadores.

Mediante a esses fatores, grandes pensadores e visionários da época sentiram a necessidade de estudar melhor as formas de adaptar o trabalho às características dos trabalhadores. Assim, as empresas começaram a se preocupar com a qualidade de vida, satisfação interpessoal e em fornecer condições adequadas de trabalho, visando reduzir os índices de doenças ocupacionais e absenteísmo, bem como aumentar o índice de produtividade.

A partir desta demanda surge o conceito de ergonomia. Analisando a etimologia da palavra, derivada de ergonomos, temos a palavra grega ergon (trabalho, atividade), e nomos (lei). Isto posto, podemos concluir que o objeto de estudo da ergonomia é a análise da atividade do homem de modo a entender a sua interação com outros elementos ou sistemas. Sendo assim, a ergonomia pode ser entendida como uma disciplina cujo objetivo é transformar o trabalho, adaptando-o às características e aos limites do ser humano.

De maneira geral, a ergonomia é norteada pela Norma Regulamentadora n° 17. Entretanto, ela também aparece de maneira muito forte dentro da NR 36 direcionada ao setor de frigoríficos.

A Análise Ergonômica do Trabalho (AET) é uma ferramenta para os trabalhos em ergonomia, preconizada pela Norma Regulamentadora n° 17 (NR 17). Através da AET, o profissional tem condições de identificar e analisar os riscos ergonômicos presentes nas situações de trabalho, além de propor ações de melhoria, estabelecer prioridades na intervenção e direcionar recursos. Essa análise pode seguir diferentes vertentes não só pelo profissional que desenvolve a ação, mas também por conta da demanda que gera a necessidade desse estudo.

O desenvolvimento da Análise Ergonômica do Trabalho é orientado para a análise da tarefa real do trabalhador, ou seja, aquilo que ele efetivamente executa durante a sua jornada de trabalho. A abordagem metodológica proposta é estruturada em várias etapas que se encadeiam com o objetivo de compreender e transformar o trabalho analisado. Além disso, vale destacar que o método de desenvolvimento da AET é bastante aberto, ou seja, não é engessado, uma “receita de bolo”; o profissional pode utilizar diferentes ferramentas de coletas de dados, tendo em vista que a escolha destas é feita em função da natureza dos problemas evidenciados pela demanda.

Dentro de uma AET podemos evidenciar cinco grandes grupos de fatores de riscos que podem ser analisados. São eles:

  • Fatores de riscos biomecânicos: A biomecânica é uma disciplina voltada ao estudo do corpo humano, considerando-o como uma estrutura que funciona segundo as leis da mecânica. São tópicos de interesse da biomecânica: trabalho muscular estático e dinâmico; estudo de posturas; levantamento, movimentação e transporte manual de cargas; zonas de alcance na área da tarefa; trabalho com uso de teclado ou outros dispositivos de entradas de dados.
  • Fatores de riscos de mobiliários e equipamentos: Envolve o estudo do posto de trabalho e das ferramentas e equipamentos que o trabalhador utiliza para concluir sua tarefa.
  • Fatores de riscos ambientais: o estudo da Ergonomia Ambiental inclui o ambiente físico e seus respectivos fatores, tais como temperatura, ruídos, vibrações e iluminação interpretados e definidos em função de seu efeito na qualidade de vida do ser humano.
  • Fatores de riscos organizacionais: De acordo com a NR 17, a organização do trabalho deve ser adequada às características psicofisiológicas dos trabalhadores e a natureza do trabalho, devendo-se avaliar as normas de produção da empresa, o modo operatório, os ritmos de trabalho, a exigência de tempo imposta ao trabalhador, bem como o conteúdo da tarefa.
  • Fatores de riscos cognitivos ou psicossociais: Estão ligados ao estudo dos processos mentais que o trabalhador utiliza para realizar as atividades, como por exemplo: raciocínio, memória e percepção. Os principais elementos analisados são a carga mental exigida para a realização das tarefas, além do estresse profissional e pressão para tomada de decisão.

A lista de fatores de análise não é exaustiva, mas importante para a construção da AET. As variáveis serão personalizadas de acordo com a atividade da empresa e escopo da análise. A partir da conclusão da AET quanto aos riscos qualificados e quantificados, podem existir recomendações com ações corretivas e/ou preventivas visando eliminar e/ou minimizar o agente reconhecido. Essas recomendações são todas paramentadas pelas exigências da NR 17 – Ergonomia, e as consequências serão benéficas tanto para o próprio trabalhador, como para a empresa como um todo.

Benefícios da elaboração da Análise Ergonômica do Trabalho

Melhoria da produtividade – através da AET é possível otimizar os processos de trabalho, uma vez que um ambiente não adaptado às condições psicofisiológicas do trabalhador irá interferir diretamente na sua capacidade de produção e cognição.

Cumprimento de legislação – as normas regulamentadoras são de observância obrigatória pelas empresas. Dessa forma, conforme preconizado pela NR 17 – Ergonomia, cabe ao empregador realizar a análise ergonômica do trabalho nos termos da referida norma.

Redução nos processos trabalhistas – com o estudo e implantação de melhorias no ambiente de trabalho será significativa a redução de passivos trabalhistas, tendo em vista que a empresa estará atuando na prevenção primária do desenvolvimento de doenças ocupacionais, além dos acidentes de trabalho.

Redução nos afastamentos – como consequência direta na redução das doenças ocupacionais, podemos destacar também a redução nos afastamentos, uma vez que o objetivo da ergonomia é promover saúde, conforto e segurança ao funcionário, que poderá exercer suas atividades com tranquilidade. Vale destacar que os afastamentos também geram altíssimos custos para a empresa, pois geram redução na equipe de trabalho reduzindo a produtividade, além de gerar gastos adicionais com indenizações, por exemplo.

Referências:

Ministério do Trabalho e Emprego. Secretaria de Inspeção do Trabalho. Norma regulamentadora n. 17 – Ergonomia. Brasília: MTE, 2007.

OLLAY, C. D.; KANAZAWA, F. K. Análise ergonômica do trabalho: prática de transformação das situações de trabalho. São Paulo: Andreoli, 2016.

IIDA, I. Ergonomia: projeto e produção. 2. ed. São Paulo: Edgard Blücher, 2005.

MANUAL DE ERGONOMIA, Ministério do Trabalho e Emprego. Brasília, 2002.

IZUMI, R. T. A importância da ergonomia na qualidade de vida no trabalho em frigoríficos de bovinos: um estudo de observação. 2011. 34 f. Monografia (Especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho) – Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2011.

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